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Taifeiros denunciam humilhações na casa dos generais
Motivado por um
inquérito civil público aberto em abril pelo Ministério Público
Militar em Santa Maria (RS), um grupo de taifeiros de Brasília
denuncia situações de constrangimento, humilhações — como gritos e
xingamentos, ameaças e punição — e abusos que teriam sofrido em
residências de generais do Exército.
Embora sejam
cozinheiros ou copeiros, eles afirmam que desempenham várias
tarefas, como lavar o chão e vasos sanitários, fazer compras em
supermercado, trocar roupa de cama e lavar
até as calcinhas das mulheres dos generais.
O Comando do
Exército também estaria atrasando a promoção dos taifeiros para
garantir mão-de-obra gratuita na residência dos oficiais mais
graduados.
O inquérito em
andamento no Rio Grande do Sul visa apurar a regularidade da
utilização de militares realizando “tarefas de cunho eminentemente
doméstico” em residências de superiores hierárquicos.
Reunidos num
grupo, na presença de um procurador militar, eles gravaram
entrevistas descrevendo as situações que consideram de abuso e
humilhação. Dois deles tiveram o depoimento ao Correio interrompido
pelo choro. Relatam que vivem sob tensão, consumindo medicamentos
controlados.
Todos eles
trabalham ou trabalharam na quadra 102 Norte, blocos G e H, onde
estão concentrados os apartamentos funcionais dos generais.
Eles mostraram
fotografias em que aparecem em tarefas como passar roupa e limpar
vasos sanitários. “As tarefas são limpar banheiro de general, lavar
roupa. A roupa do general, da madame, dos filhos que moram com eles,
com netos que moram.
Taifeiro lava e
passa. Outra coisa: elas não arrumam cama. Quem arruma são os
taifeiros. Raramente os generais têm alguma empregada doméstica.
Também vamos ao
supermercado, empurrar carrinho da madame”, contou um taifeiro.
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